quinta-feira, 9 de novembro de 2017

7 Irmãos - 1994

O grupo 7 Irmãos marcou a juventude de muitos das cidades de Raposos, Nova Lima e Rio Acima. Uma banda de pagode que trazia no carisma a sua melhor qualidade. Nem sempre o som e a sintonia entre música e músicos estavam afinados, mas a alegria da turma superava tudo.

No vídeo abaixo, uma apresentação dos 7 Irmãos (os caras são irmãos mesmo), no bairro de Santa Rita em Nova Lima num longínquo 1994.

Acompanhe:




sábado, 14 de outubro de 2017

O sucesso dos Festivais de Música e Dança Estudantis de Raposos


No último fim de semana, Raposos foi palco mais uma vez dos Festivais Estudantis de Música e Dança. O primeiro em sua 4ª edição e o outro já em sua 2ª. No sábado rolou o Festival de Música, com nove apresentações em alto nível. O 1° lugar ficou com a Banda Projeto Sound Maker com Thiago Augusto, Sarah, João, Ricardo e Larissa (11anos) que foi a grande surpresa da noite. O 2° lugar ficou com Gabriel e Everton e Banda e em 3° a Banda Ministério Adoração. Ainda foram premiados:

- Melhor musica própria: “Rosto de puro desejo” de Thiago Augusto
- Melhor interprete: Emilly da Ambos os 3
- Revelação: Larissa do Projeto Sound Mayer
- Destaque da organização: Emilly e Larissa.

Como destaque da noite podemos citar as apresentações do MC Marcus Leão e MC Cortuá, Ambos os 3 e Gabriel e Everton, que junto do projeto levantaram a galera no Cine Soaral. O nível técnico está subindo a cada ano e o festival só crescendo. Ficou a desejar nesta edição a presença do público, abaixo do esperado.

No domingo, ocorreu o Festival de Dança, que teve alguns probleminhas técnicos com o som em seu início, mas nada que abalasse o ânimo da moçada. O evento bombou. A cada apresentação o Cine Soaral sacudia e a galera ia ao delírio. Várias apresentações se destacaram, mas ficou na lembrança o Grupo Never Stop Dance e suas máscaras dos anônimos, o grupo 2strong4U pela leveza nas coreografias, o grupo Cultura Urbana com sua técnica refinada, o grupo Black Wine com sua coragem no figurino e o grupo Girls Power com a apresentação de Tango e uma manifestação contra a violência às mulheres. Saíram premiados neste festival:

- Contemporâneo: Débora Melo solo;
- Urbano: Never Stop Dance;
- Livre: Cultura Urbana
- Melhores dançarinos: Eduardo do Generation X, Juan do Cultura Urbana e Italo do Never Stop Dance;
- Melhores dançarinas: Débora Melo, Ariele do Never Stop Dance e Larissa Gabrielle do Cultura Urbana.
- Destaques da organização: Lais Caren do 2strong4U e Wenderson (10 anos) do Never Stop Dance.

Que venha 2018 e se Deus quiser com o 3° Festival de Dança e 5° Festival de Música. Eventos estes que valorizam a cultura do jovem raposense e apresenta alternativas para o crescimento da arte no município como um todo.

Poema sobre o Rio das Velhas

RIO DAS VELHAS
(Escrito à noite dentro do subúrbio)
Sob as trevas serenas
de uma noite mineira
vão-se as águas turvas
deste meu rio a soluçar...

Posso vê-lo acordado e bravio
da janela onde regresso no trem
entre vultos de árvores negras
e assobios noturnos de trilhos...

Em seu leito jaz a pureza
os resíduos esquecidos de ouro
esperam a vinda do garimpeiro
que anseia fazer a vida com ele.

Meu Rio das Velhas tão procurado
maltratado e sem vida, peregrinas
outrora tuas águas e peixes sadios
hoje, poluído, és ainda encantado.

Vendo-te em correntezas firmes
esqueço-me de ti nos vendavais
nas tempestades quando amedrontas
com “ondas” revoltadas noturnas e matinais.

Mas, que cenário imortaliza esse percurso
quando andas como histórica dos antigos povos,
dos navios que deslizaram
em tuas águas, em tuas glórias.

Vai meu rio, rumo ao mar, ao sal
posto que és uma vida ou mais
deixe-me aqui, nesta terra de sonhos
contemplar as margens que mais amo.

Idê Cecília Santos Rocha

Fonte: GOMES, João Oliveira – Memórias do Povo de Raposos – Editora Lê – Belo Horizonte, 1996 - Página 152.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Festivais de Música e Dança agitam o início de outubro em Raposos


Raposos receberá nos próximos dias 7 e 8 de outubro, o 4° Festival de Música Estudantil e o 2° Festival de Danças Estudantil de Raposos. Os dois eventos movimentam os jovens raposenses e revelam talentos outrora escondidos e/ou sem chances de reconhecimento. Conversamos com um dos idealizadores dos projetos, o professor José Francisco Gurgel Junior, o Papa. Acompanhe o bate-papo:

Professor José Francisco Gurgel (Papa) - Reprodução Facebook

Onde nasceram os festivais?

Estes projetos se iniciaram na Escola Estadual Dom Cirilo de Paula Freitas no ano de 2013 quando ocorreu o I Festival de Música. 

Como surgiu a ideia?

No início, em 2013, havia vários estudantes da escola que tocavam violão, guitarra, baixo, cavaquinho, percussão, bateria e outros instrumentos e, além disso, vários cantores e cantoras. Era uma demanda social. Eles lutavam por um espaço para se apresentar e não encontravam. 

A que se deve esse grande número de jovens de talentos dentro da escola?

Acreditamos que seja o resultado das aulas de violão gratuitas de nosso multi-instrumentista e jurado titular dos festivais, Prelim Gomes na Casa Verde, da Escola de Música da Corporação Nossa Senhora da Conceição na batuta do Maestro Robson Saquet e de movimentos musicais dentro das igrejas.

Jurados do Festival durante apreciação das apresentações - Foto: Andréia Gomes

Poderia fazer um pequeno resumo dos anos de festivais?

Com o apoio da Vice Diretora Juliana Froes, da diretora Verinha, da Coordenadora Pedagógica Eliane e pelos demais profissionais da escola montamos uma Comissão de Organização com outros estudantes (quem não toca instrumento ou não canta pode e deve organizar) e assim encararmos o evento foi um sucesso. O segundo ano foi consequência. Em 2014, contamos com o apoio da Prefeitura de Raposos, mas tivemos muitos problemas com o prestador de serviços (iluminação e som) com atrasos de 2 horas. A noite foi tensa, mas ao entrar no palco do Cine Soaral, os shows superaram as adversidades e foi outro sucesso. A cada apresentação uma surpresa boa e diferente. Era ano de Copa do Mundo, mas nossos estudantes estavam fazendo apresentações em lembrança dos 50 anos do Golpe Militar no Brasil. Foi lindo ver como os estudantes são reflexivos nestes momentos de crise, relata o Professor Papa. Em 2015, com o tema de Trilha Sonoras, os estudantes mais uma vez se surpreenderam. Sempre no formato onde os participantes (grupos, bandas, duplas e solos) devem apresentar uma música de interpretação e uma música de composição própria. Em 2016 o Festival de Músicas deu uma pausa (um novo público estudantil ausente de artistas da arte musical), o que fez surgir novos movimentos como desenhos e fotografia (projetos paralelos de sucesso como o Olhares do Patrimônio no Museu de Artes e Ofícios, onde das 50 fotos premiadas haviam 18 fotografias de estudantes do Dom Cirilo) e surgem o atendimento de uma demanda histórica em Raposos, espaço para os estudantes que gostam de danças.

Foto: Andréia Gomes

E o Festival de Danças, como surgiu? 

O 1° Festival de Danças, em 2016, teve um sucesso estrondoso, enfatiza o Professor. Em apenas dois meses, os estudantes montaram as coreografias e se apresentaram em três estilos (danças livres, urbanas e contemporâneas) sob o tema da violência urbana. A cada nova apresentação as estruturas do nosso lindo Cine Soaral se estremeciam. Foi uma noite memorável! 

Foto: Andréia Gomes

Qual sua expectativa para os festivais deste ano?

O que posso dizer é que estou super ansioso para os dias 7 e 8 de outubro chegar logo. Acompanho os ensaios e os esforços dos estudantes e sei que serão dois ótimos eventos para a sociedade raposense, para os estudantes artistas se prepararem pra vida após o Ensino Médio.

Os festivais podem ser considerados uma extensão do campo pedagógico da escola?

Lá no Dom Cirilo, não formamos artistas, mas entendemos as diferenças e tentamos dar oportunidades a todas as habilidades dos estudantes. Formamos cidadãos. Homens e mulheres que esperamos ter consciência de seus papéis na sociedade. Com estes eventos extracurriculares esperamos contribuir para esta formação integral dos nossos jovens.

Foto: Andréia Gomes

Quais são os parceiros dos festivais?

Estes eventos jamais aconteceriam se não houvessem os amigos da escola e profissionais parceiros. Posso citar como exemplo: Andreia Gomes Fotografia, Preto Souza Picareta na iluminação, Gustavo Gurgel e Uedson no Som, Rodrigo Tomaz na locução, Ananias Gurgel nas filmagens e DVDs, Gilda Gurgel, Um mundo chamado Raposos pela divulgação, os estudantes da organização: Iona, Rafael, Rendesson, Thaina, Deisielle, Natal, Bianca, Fernanda, Marystela, e tantos outros que já foram e novos que estão este ano, além de nossos patrocinadores e a escola que deixa esse campo aberto para nossos estudantes.

Outras imagens dos festivais - Créditos Andréia Gomes











Que venha logo os dias 07 e 08 de outubro!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

"Causos" de Raposos - 2014

Mais uma excelente produção assinada pelo professor Gustavo Quintiliano Gurgel​ e seus alunos de 9° ano de 2014 da Escola Estadual Doutor Cícero Corrêa​ de Araújo.

O vídeo conta a história de quatro "causos" famosos da cidade narrados e encenados pelos estudantes embasados em relatos de moradores antigos de Raposos. 

Os "causos" são os seguintes:

1 - A LUZ DO MORRO: conta a história de uma misteriosa luz no alto do morro que intrigava todos os moradores.

2 - LINDOURO: O CARRO E O VENTRÍLOQUO: narra a história do Sr. Lindouro, o 1° prefeito de Raposos, que "motivado" por uma voz do além adquiriu o primeiro automóvel da cidade.

3 - A PROCISSÃO DAS ALMAS: a terceira história narra "causos" assustadores sobre a famosa Procissão das Almas realizada na Quaresma.

4 - FOGÃO QUENTE: O HOMEM QUE "DISMORREU": por último o hilário caso do Sr. Fogão Quente, o homem que morreu e voltou a viver. Verdade ou mentira?

A reprodução do vídeo e de tais histórias é de suma importância para manter viva a memória de nossa cidade e propagar "causos" que permeiam o imaginário do povo raposense.


terça-feira, 13 de junho de 2017

Raposos, meu belo doce lar - 2009

Uma gostosa e lúdica viagem no tempo pela história de Raposos. Vídeo produzido pelo professor Gustavo Quintiliano Gurgel​ que conta de forma fácil um pouco da origem da cidade.

Tendo como cenário de fundo um aluno da Escola Estadual Dr. Cícero Corrêa​ de Araújo, a narrativa gira em torno do garoto que entrou dentro do livro e assim a história vai sendo contada. Entre neste livro... ops vídeo, você também e aprenda mais sobre Raposos.



domingo, 11 de junho de 2017

Um passeio de moto por Raposos

Interessante vídeo para quem está fora da cidade matar a saudade e para os que aqui estão apreciar alguns de nossos cantinhos de uma forma diferente: na garupa de uma moto.

Apesar do criador do vídeo não saber informações básicas como o nome do rio que corta a cidade e chamar a primeira Matriz de Minas de igrejinha, não deixa de ser uma boa oportunidade de passear por algumas ruas de Raposos.

Este material foi produzido no ano de 2013.


terça-feira, 30 de maio de 2017

Raposenses se mobilizam em redes sociais em prol da pequena Duda

Circula pelo facebook e whatsapp uma campanha de arrecadação criada para obter fundos para Eduarda Vitória, moradora do bairro Vila Bela em Raposos, aluna da Escola Municipal Francisco Diogo Félix. A criança é portadora de paralisia cerebral espástica e necessita de pelo menos 10 mil reais para realização de uma cirurgia, inclusos neste valor exames e consultas.

Na criança espástica existe um comprometimento do sistema Piramidal com a Hipertonia dos músculos. É caracterizado pela lesão do motoneurônio superior no córtex ou nas vias que terminam na medula espinhal. Ocorre um aumento de resistência ao estiramento que pode diminuir abruptamente. A espasticidade aumenta com a tentativa da criança em executar movimentos, o que faz com que estes sejam bruscos, lentos e anárquicos. Os movimentos são excessivos devido ao reflexo de estiramento estar exagerado. Os músculos espásticos estão em contração contínua, causando aparente fraqueza do seu condutor antagonista às posições anormais das articulações sobre as quais atuam. As deformidades articulares se desenvolvem e podem com o tempo, tornar-se com contraturas fixas. O reflexo tônico cervical pode persistir além de tempo normal, porém os demais reflexos neonatais geralmente desaparecem durante o repouso determinando geralmente posições viciosas ou contraturas em padrão flexor.



Relatórios médicos da Princesa Duda

Foi criada uma fanpage no facebook para divulgação da campanha e demais informações sobre a criança. Acompanhe o relato que divulga o número da conta para que deseja ajudar: 

Eu me chamo Eduarda Vitoria e venho aqui pedi a cada um, uma pequena colaboração para minha cirurgia, meu médico avaliou a cirurgia em 10 mil reais, incluindo exames , cirurgia e consultas. Mas infelizmente minha família não tem esse dinheiro, gostaria de pedir a vocês uma ajuda de qualquer valor para me ajudar na realização da cirurgia, a seguir vou passar o número da conta para o deposito:

AG: 0134
OP: 013
CONTA: 80522-0
BANCO: CAIXA
NOME DO TITULAR: BIANCA

Obrigada e Jesus abençoa a todos!

Em outra parte da página é apresentado o modelo de uma cadeira que a criança necessita para tomar banho e ainda um pedido de fraldas a quem puder contribuir:

Pessoal eu ia me esquecendo, eu estou precisando dessa cadeira, pois para eu tomar meu banho minha mamãe e vovó tem que me colocar no colo para dar banho.
Tenho a esperança de conseguir a cadeira adaptada para mim.
E quem puder fazer doação de fraldas para mim eu irei agradecer imensamente!
O tamanho da fralda que eu uso é XG.

Obrigada a todos!
Cadeira que a Princesa Duda necessita

Ajude a pequena Eduarda Vitória da forma que puder. Se não de forma financeira, contribua para que esta mensagem chegue ao máximo de pessoas possíveis.


Fonte de pesquisa para Paralisia Cerebral Espástica: http://paralisiacerebral.webnode.com.br/classifica%C3%A7%C3%A3o%20da%20p-c/espastica/

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A história da fábrica de fósforos

Fachada da antiga fábrica de fósforos - Foto: João Oliveira Gomes

A Escola Estadual "Dom Cirilo de Paula Freitas" é uma das mais respeitadas instituições de ensino de Raposos e de nossa região. Lá os alunos estudam na modalidade de Ensino Médio e dali partem para alçar grandes voos e realizações em suas vidas profissionais.


A antiga caldeira da fábrica hoje na E. E. "Dom Cirilo de Paula Freitas" - Fotos: Jéssica Ribeiro

Só que neste mesmo local onde funciona a escola, anteriormente abrigava uma indústria. Uma fábrica de fósforos. A velha caldeira ainda permanece presente no pátio da escola, onde até hoje é motivo de orgulho para todos os raposenses. É como se a história estivesse viva e presente aos olhos de todos.

Funcionários da fábrica de fósforos. Muitas mulheres e crianças faziam parte da equipe - Foto: João Oliveira Gomes

Embora as atividades tenham sido temporários, a fábrica de fósforos chegou de certo modo a influenciar na situação econômica municipal da época. Nem só de mineração vivia nossa cidade no início do século passado. A fábrica foi instalada em Raposos, em 1907, pelo Sr. Germano da Silva Gomes, de sociedade com um alemão, Sr. Juvêncio. 

Caldeira sendo puxada por carros de boi atravessando o Rio das Velhas 

A fábrica, com o nome inicial de ”Luz Mineira”, passou depois para “Fósforo Farol”, com muita aceitação chegando a fazer concorrência às grandes fábricas de outras praças do país. Essa fábrica teve encerradas suas atividades na comuna entre 1925 e 1928, sendo comprada por uma congênere do Rio de Janeiro que a fechou, levando, posteriormente, toda sua maquinaria para aquele Estado.

Funcionárias da fábrica durante a labuta

Hoje em dia, as boas lembranças da fábrica restaram somente em poucos registros fotográficos e na memória de alguns privilegiados que viveram nestes áureos tempos de Raposos.

Fonte:

- Site da internet - http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/minasgerais/raposos.pdf- acessado em 25 de maio de 2017.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A história da Estrada de Ferro Morro Velho

O bonde de Morro Velho, puxado por locomotiva elétrica, anos 1960 (Foto Leonardo Bloomfield, anos 1960).

A rica jazida de ouro que daria origem à Mina de Morro Velho, localizada em Nova Lima (MG), foi descoberta em 1814. Em 1830 ela foi adquirida pela empresa inglesa St. John d'El Rei Mining Company Ltd., que inaugurou a mina em 1834. Logo ela se revelou um empreendimento muito lucrativo, como se pode deduzir a partir das dimensões que assumiu ao longo do tempo: ela se tornou a mina mais profunda do mundo, com 2.500 metros de profundidade e 4.000 metros de extensão, o que a tornou mundialmente famosa já no início do século XX.

, Outros bondes na espera (Foto Leonardo Bloomfield, anos 1960).

Nova Lima fica a aproximadamente dez quilômetros do centro de Belo Horizonte em linha reta. Contudo, no início do século XX, o acesso entre a capital mineira e essa localidade era feito de trem até a estação de Raposos, via General Carneiro e Sabará. Só esse trajeto apresentava 34 quilômetros de extensão, já que as linhas de bitola métrica da E.F. Central do Brasil contornavam o difícil relevo da região e eram muito limitadas do ponto de vista técnico. De Raposos até Nova Lima eram mais oito quilômetros, totalizando portanto 42 quilômetros a partir de Belo Horizonte.

Carro de passageiros fechado (Fotos Leonardo Bloomfield, anos 1960)

A estação de Raposos foi inaugurada em 1891 na linha do Centro da E. F. Central do Brasil. Desta estação saía uma linha de bondes elétricos da St. John Del Rey Mining Co., que administrava a Mina de Ouro Morro Velho, com um percurso de 9,5 km que partia da plataforma da estação e a ligava à cidade de Nova Lima. A mina existia desde 1830.

O bonde em 1957 (Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, 1958. Cessão: Jorge A. Ferreira).

Antonio Gorni escreve que '"a idéia de se construir uma linha férrea entre a estação ferroviária de Raposos e Nova Lima surgiu da necessidade de facilitar o acesso de máquinas, equipamentos e insumos à mina, cuja expansão era cada vez maior. Além disso, o crescimento da mina havia resultado num grande aumento do número dos operários que nela trabalhavam, criando problemas habitacionais na região. A administração da Mina de Morro Velho constituiu a The Morro Velho Railway Co. no final da primeira década do século XX com o objetivo de se concretizar essa ligação, que recebeu o privilégio de explorar essa concessão por cinqüenta anos. Suas obras se iniciaram a 30 de Março de 1911. Não há certeza quanto à data da inauguração dessa ferrovia: Waldemar Stiel e Allen Morrison citam 25 de março de 1913, enquanto que Demerval Pimenta informa 3 de Abril de 1914.
 
Transporte de caixão funerário (Revista o Cruzeiro, 11/10/1958, acervo Manoel Monachesi , cortesia Jorge A. Ferreira).

Como era comum na época, as condições técnicas da linha não eram das melhores: bitola de 0,66 m e curvas de até 47 m de raio. Contudo, apresentava uma grande inovação para as ferrovias brasileiras: ela já iniciou sua operação totalmente eletrificada, fato raríssimo no país. Ela também foi a segunda ferrovia a usar tração elétrica no Brasil, sendo precedida somente pela E.F. Corcovado. 

Transporte de caixas com barras de ouro (Revista o Cruzeiro, 11/10/1958, acervo Manoel Monachesi , cortesia Jorge A. Ferreira).

Certamente a eletrificação da E.F. Morro Velho decorreu da abundância de energia elétrica na região, uma vez que a mina dispunha de uma usina hidrelétrica própria. Esses recursos permitima dispensar o uso da lenha na ferrovia, que vinha se tornando cada vez mais cara e escassa a partir do início do século XX, e do carvão importado, de custo proibitivo. O material rodante foi fornecido pela General Electric, que estava se revelando uma potência dominante na área da tração elétrica e que teria um brilhante desempenho nas ferrovias brasileiras. A E.F. Morro Velho adquiriu sete locomotivas, sendo quatro de 4 t e três de 3,75, seis carros-reboque abertos e quatorze vagões. 

Casal no interior do trem (Revista o Cruzeiro, 11/10/1958, acervo Manoel Monachesi , cortesia Jorge A. Ferreira).

O serviço de passageiros entre as duas localidades era público, embora predominasse o transporte gratuito dos empregados da mina; uma composição circulava entre elas de quarenta em quarenta minutos. A estrada também servia um pequeno povoado no meio do percurso chamado Galo, onde a Companhia Morro Velho tinha uma fábrica de arsênico. Três vezes por mês o serviço era interrompido, tropas ocupavam toda a linha e composições especiais circulavam por ela levando lingotes de ouro que eram baldeados para trens da Central do Brasil rumo ao Rio de Janeiro. 

Trem sendo puxado pela pequena locomotiva (Revista o Cruzeiro, 11/10/1958, acervo Manoel Monachesi , cortesia Jorge A. Ferreira).

A concorrência rodoviária fez com que o transporte de passageiros pela E.F. Morro Velho definhasse ao longo das décadas de 1950 e 1960. O serviço passou a ficar cada vez menos atrativo do ponto de vista econômico, até que a Companhia Morro Velho decidiu desativá-lo no último dia de 1964, alegando prejuízos e a irregularidade jurídica da operação da ferrovia, cuja concessão havia vencido e não havia sido renovada. O anúncio da paralisação provocou ameaça de greve por parte dos funcionários da empresa; a Prefeitura de Nova Lima então o assumiu em 1° de Janeiro de 1965. Apesar de toda a resistência, em 1970 a ferrovia foi suprimida, seus trilhos arrancados e substituídos por uma rodovia. Não há notícias sobre preservação de locomotivas ou carros que foram usados nessa linha".

Cena do trem da Morro Velho no seu percurso (Revista o Cruzeiro, 11/10/1958, acervo Manoel Monachesi , cortesia Jorge A. Ferreira).

Ficha técnica:

Nome: E. F. de Morro Velho
Bitola: 0,66 m (1)
Extensão: 9,5 km (4); 8,0 km (1)
Data de início das atividades: 1913 (2); 1914 (3)
Desativação: 1970 (1)
Proprietários identificados: The Morro Velho Railway Co.

(1) segundo Antonio Gorni, em www.efbrazil.eng.br
(2) segundo W. Stiel e Allen Morrison
(3) segundo Demerval Pimenta
(4) segundo Max Vasconcellos, em 1928


Cena do trem da Morro Velho no seu percurso (Revista o Cruzeiro, 11/10/1958, acervo Manoel Monachesi , cortesia Jorge A. Ferreira).

Referências:

Site da internet - http://www.pell.portland.or.us/~efbrazil/electro/efmv.html - acessado em 25/01/2017

Site da internet - http://www.estacoesferroviarias.com.br/ferroviaspart_rj/efmorrovelho.htm - acessado em 25/01/2017

ANON. E.F. Morro Velho. Estradas de Ferro do Brasil - 1945, Suplemento da Revista Ferroviária, 1945, p. 146.

COELHO, E. Explorando os Caminhos do Ouro: a E.F. Morro Velho. Revista Ferroviária, Setembro 1988, p. 60.

FRANCO, J. O Trenzinho de Ouro. O Cruzeiro, 11 de Outubro de 1958, p. 70-74.

MORRISON, A. The Tramways of Brazil - A 130-Year Survey, Bonde Press, New York, 1989, p. 79.

PIMENTA, D.J. Estradas de Ferro Eletrificadas do Brasil, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/Rede Mineira de Viação, Janeiro de 1957. 80 p.

STIEL, W.C. História do Transporte Urbano no Brasil. Editora Pini Ltda, Brasília, 1984, pág. 278-280.